Publicado em 04 maio 2026 • por Adersino Valensoela Gomes Junior •
Cartaz guardado será aberto no fim do ano e vai surpreender até quem o escreveu
Uma pergunta difícil de responder com clareza é: – Quem você quer ser?
Na Escola Estadual Thomaz Barbosa Rangel, em Rio Verde de Mato Grosso, essa pergunta foi feita aos estudantes do 1º ano do Ensino Médio; e a resposta será escrita em um cartaz para ser lido, e conferido, no final do ano.
A atividade batizada de ‘Cápsula do Tempo – Projeto de Vida’ foi desenvolvida no âmbito do Itinerário Formativo Profissional com três turmas, estimulando um sonho frequente em sala de aula. Parar, olhar para dentro e decidir, conscientemente, para onde se quer ir.
O ponto de partida
Quem sou eu agora?
Antes de falar sobre futuro, os estudantes foram convidados a encarar o presente, pensar no desempenho escolar, na rotina de estudos, nos interesses pessoais e responsabilidades familiares, junto com as expectativas em relação ao Ensino Médio. Tudo entrou na roda.
Esse diagnóstico inicial não foi exercício de autocomiseração (quando o indivíduo se vê como vítima injustiçada), mas de lucidez para reconhecer a própria realidade como primeiro passo para transformá-la.
A coordenadora pedagógica da atividade, Evelyn Dayana, resume a ação como motivadora.
“Quando um estudante para e enxerga com honestidade suas forças, seus medos e sua rotina, ele começa a entender que seu projeto de vida deve ir além de uma prova de redação e pensar nas escolhas que faz todos os dias.”

O que faz sentido
Como parte da proposta, os alunos realizaram um teste vocacional. Não para definir uma profissão de vez, mas para ampliar horizontes.
Aptidões, habilidades e afinidades pessoais vieram à tona, ajudando cada jovem a compreender que suas escolhas podem, e devem ser construídas com base no autoconhecimento e no desenvolvimento de competências, buscando superar a pressão do mercado ou a expectativa dos outros.
Currículo, carreira e o mundo lá fora
A atividade também trouxe para a sala de aula o que muitos jovens só vão descobrir mais tarde; a importância de construir uma trajetória profissional desde cedo.
Debates sobre a importância do currículo profissional, do Currículo Lattes, a primeira oportunidade de emprego, a qualificação e a postura profissional mostraram aos estudantes que o mercado de trabalho não espera e começa muito antes do diploma.
Também foram discutidos o mercado de trabalho atual, as competências valorizadas pelas empresas, os cursos técnicos e superiores mais valorizados, temas que contribuíram para sair do abstrato e entrar em uma conversa real com os jovens.
O supervisor de Educação Profissional, Douglas William, acredita que conectar o conteúdo do Itinerário Formativo à vida que já está sendo construída fora dos muros da escola faz muita diferença na construção dos sonhos dos estudantes.
“A gente não forma apenas técnicos, formamos pessoas que sabem quem são, o que querem e como podem chegar lá e, ainda que abordar o Currículo Lattes de um estudante logo no primeiro ano possa parecer cedo demais, ter a consciência sobre o próprio caminho nunca é.”

Família com parte do projeto de vida
Um dos momentos mais sensíveis da atividade foi a reflexão sobre o papel da família na construção dos sonhos.
Os estudantes foram convidados a pensar no apoio recebido, nas responsabilidades que carregam em casa, nas dificuldades do cotidiano e na influência positiva – ou no peso, que a família representa nas suas escolhas.
Ao reconhecer que cada projeto de vida parte de uma realidade diferente, a atividade respeitou trajetórias distintas sem hierarquizá-las; um gesto pedagógico que muitas vezes passa despercebido, mas que transforma a relação do estudante com a própria história.
Os pilares que sustentam tudo
Autoconhecimento, autoestima, disciplina, organização, comunicação, persistência e confiança em si mesmo foram trabalhados, não como virtudes abstratas, mas como competências concretas a serem desenvolvidas.
Ao mapear suas qualidades e dificuldades, cada jovem saiu do exercício com uma compreensão mais clara de quem é. E do que precisa cultivar para se tornar quem deseja ser.

O cartaz que guarda sonhos
A culminância da atividade foi a produção do cartaz. A cápsula do tempo propriamente dita.
Nele, cada estudante registrou profissão desejada, objetivos acadêmicos, mudanças pessoais pretendidas, cursos que deseja realizar, livros que pretende ler, hábitos que quer melhorar e sonhos pessoais.
Não é um trabalho para ser entregue e esquecido. É uma memória simbólica de um momento da vida estudantil que será revisitada ao final do ano letivo, quando cada aluno poderá comparar o que planejou com o que realizou.

Um encontro marcado em dezembro
A grande aposta da atividade está no seu ato final, ainda por acontecer.
Ao retomar os cartazes no fim do ano, os estudantes terão diante de si um espelho do que foram em maio de 2026.
Vão poder avaliar melhor seu crescimento pessoal, se houve melhoria no desempenho escolar, se surgiram novos objetivos ou mudanças de pensamento. Quais cursos conseguiram realizar… E tudo que se aplica à evolução emocional e clareza profissional.
Tudo isso poderá ser medido, sentido e celebrado. Porque projeto de vida não é destino fixo. É processo. E esse processo já começou na Escola Estadual Thomaz Barbosa Rangel.

Gilberto Junior, SED
Fotos: arquivo escolar