Publicado em 01 abr 2026 • por Adersino Valensoela Gomes Junior •
Autismo na escola não é desafio, mas oportunidade de ensinar diferente
Em seis anos, Mato Grosso do Sul saltou de 546 para 3.159 estudantes com TEA (Transtorno do Espectro Autista) matriculados na Rede Estadual, e por trás de cada número há uma história de pertencimento, superação e educação que respeita quem é cada um.
Esses números representam o resultado de um compromisso que pavimentou inúmeras possibilidades e trajetórias escolares que antes pareciam improváveis.
Para nós, toda criança chega à escola com um jeito próprio de ver o mundo. E para os estudantes com Transtorno do Espectro Autista, esse jeito exige da escola algo mais do que boa vontade.

Estrutura, preparo e compromisso real
Entre 2020 e 2026, o número de estudantes com TEA na Rede Estadual de Ensino teve um crescimento superior a 480%.
No mesmo período, os serviços de apoio pedagógico especializado acompanharam esse avanço e saltaram de 402 para 1.528, garantindo que o crescimento das matrículas não viesse desacompanhado de suporte real.
Uma escolha começa com pertencimento
Para esses estudantes, a escola inclusiva não é apenas um direito previsto em lei, mas um lugar onde suas potencialidades ganham espaço para se desenvolver.
A Rede Estadual conta, hoje, com 217 Salas de Recursos Multifuncionais, que oferecem Atendimento Educacional Especializado em contraturno, com recursos, estratégias e apoios pedagógicos que respeitam as especificidades de cada um.
O atendimento também acontece em sala de aula, em classes hospitalares e em domicílio, garantindo que nenhum estudante fique para trás, sem acompanhamento.
“A inclusão só funciona quando todos estão comprometidos com ela,“ revela uma mãe sobre os avanços do seu filho, um estudante com TEA.
Onde o preparo transforma a prática
Por trás de cada estudante incluído há um professor que se preparou para essa oportunidade.
O número de professores de apoio especializado mais que triplicou em seis anos, reflexo direto do investimento em formação continuada promovido pela Secretaria de Estado de Educação.
Oficinas, palestras e formações voltadas à elaboração do PEI (Plano Educacional Individualizado) e às adequações curriculares qualificam as equipes escolares para uma prática pedagógica que respeita o ritmo e as potencialidades de cada estudante.
A professora da Educação Especial, Laura Ferreira dos Santos, revela que a especialização mudou sua forma de ensinar. “Aprendo todos os dias com meus alunos porque não existe um único jeito certo de ensinar”.

Ações no interior do Estado
No interior do estado, os Núcleos de Educação Especial vinculados às Coordenadorias Regionais de Educação garantem que o suporte técnico-pedagógico chegue a todas as escolas.
Atuando de forma articulada com o Centro Estadual de Apoio Multidisciplinar Educacional ao Estudante com TEA, o CEAME/TEA, é o setor da SED referência no assessoramento às equipes escolares para o desenvolvimento de pesquisas e produção de materiais didáticos.
“Quando a equipe escolar está bem formada, o estudante com TEA não é visto como um desafio, é visto como um aluno com possibilidades, ” revela Silvana Giovanoni Ribeiro Boller, especialista do setor.
O que vem por aí
A partir deste ano, a Rede Estadual implanta o AEE (Atendimento Educacional Especializado) em Psicomotricidade, um serviço inovador para estudantes com TEA.
A iniciativa considera aspectos motores, cognitivos, afetivos e sociais, favorecendo o desenvolvimento integral, a autonomia e a inclusão social, com benefícios que vão da coordenação motora ao estímulo da autoconfiança.
“A psicomotricidade vai além do movimento porque conecta o corpo, a mente e as emoções do estudante e isso pode abrir portas que nenhuma outra intervenção alcança,“ revela Corando Petrallas Faria, especialista em psicomotricidade.

A Rede que garante o direito de aprender
No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, a Secretaria de Estado de Educação reafirma um princípio que orienta cada decisão na Rede Estadual. A inclusão não é um favor, é um direito.
Com palestras, rodas de conversa e oficinas formativas programadas para o Abril Azul, o Estado reforça a construção de uma educação inclusiva, feita com respeito às diferenças e que valoriza o que cada estudante tem de único.
Entre as atividades, destacam-se as palestras ‘Compreendendo o Autismo e suas especificidades no contexto escolar’, realizada em formato de rodas de conversa com estudantes do ensino comum.
E, também, a palestra ‘Inclusão de estudantes com Autismo: desafios e possibilidades’, com assessoramento às famílias sobre as especificidades e potencialidades dos alunos.
As ações acontecerão entre os dias 31 de março e 17 de abril, nas seguintes escolas:
– CEI-ZEDU, EE Cívico Militar Marçal de Souza, EE Maestro Heitor Villa Lobos, EE José Barbosa Rodrigues, EE Prof. Emygdio Campos Widal, EE Elvira Mathias de Oliveira, EE Teotônio Vilela, EE Pe. João Greiner e EE Zelia Quevedo.
Complementando as iniciativas, a oficina formativa ‘Adequação do Currículo’, destinada aos professores do AEE que atuam junto a estudantes com Transtorno do Espectro Autista.
O encontro visa o fortalecimento das práticas pedagógicas inclusivas e a qualificação do atendimento educacional. A primeira edição está marcada para o dia 15 de abril, no CFOR (Centro de Formação Mariluce Bittar) com outras duas oportunidades previstas ao longo do mês.
Gilberto Junior, SED
Foto: Cid Nogueira e arquivo escolar