Protocolo de segurança é colocado à prova em escola estadual em Campo Grande

Protocolo de segurança é colocado à prova em escola estadual de Campo Grande
  • Publicado em 01 jun 2026 • por Adersino Valensoela Gomes Junior •

  • Brigada de incêndio ensina estudantes como serem protagonistas da própria segurança

    O alarme soou quebrando a rotina na Escola Estadual Lúcia Martins Coelho neste primeiro dia de junho, agitando uma das maiores escolas públicas de Campo Grande.

    Nela, 320 alunos evacuaram as salas de aula, em silêncio e em ordem, durante um simulado previsto para demonstrar que prevenção também se aprende.

    Os estudantes se levantaram das carteiras, deixaram os materiais para trás e, em fila indiana com a mão no ombro do colega da frente, caminharam em silêncio em direção à quadra de esportes.

    Minutos depois, viaturas do Corpo de Bombeiros Militares entravam pelo estacionamento dos professores com as sirenes ligadas, enquanto o tempo de resposta era cronometrado pela Brigada de Incêndio da escola.

    Era um simulado, mas poderia não ser

    É a primeira vez que uma escola da rede estadual realiza um Simulado Completo de Abandono de Área, coordenado pela Coordenadoria-Geral de Gerenciamento de Crises, Riscos e Acidentes da SED, com apoio do Corpo de Bombeiros Militares de Mato Grosso do Sul.

    Dos 340 alunos matriculados em tempo integral, cerca de 320 participaram, incluindo estudantes com deficiência da sala especial da escola.

    Por que essa escola e por que agora

    A escolha da Lúcia Martins Coelho não foi aleatória. A escola foi selecionada justamente pela complexidade. São dois pavimentos, salas especiais para estudantes com necessidades específicas e ambientes de risco como laboratórios com equipamentos eletrônicos e uma cozinha que oferece três refeições diárias.

    “Neste momento, avaliamos a responsividade dos nossos brigadistas e o comportamento dos estudantes após o acionamento do alarme”, revelou o coordenador de Gerenciamento de Crises, Riscos e Acidentes da SED, o coronel Marcelo Fraiha.

    Estudantes nunca tinham ouvido um alarme

    Para a maioria dos estudantes presentes, foi a primeira vez que ouviram um alarme de incêndio. A aluna Ester Rassad, do 2º ano, resumiu o que aprendeu com uma clareza que nenhum manual pedagógico conseguiria.

    “Aprendemos que não tem que sair igual correndo sem direção, senão, a gente pode atropelar nosso colega, tropeçar, cair e se machucar”, disse a estudante.

    A presidente do Grêmio Estudantil, Rafaela Rezende, acompanhou tudo de perto e avaliou o resultado com orgulho. “Eu fiquei muito feliz que todos conseguiram compreender que é muito importante treinar e estar preparados para situações de risco.”

    Em geral, os estudantes levaram o simulado a sério e se ajudaram. Isso foi muito importante.

    Inclusão que vai além da sala de aula

    Um dos momentos mais significativos do simulado foi a participação dos estudantes da sala especial, alunos com deficiências atendidos pela professora Roselene Gonçalves Santos, que acompanha a escola há um ano e meio.

    “Pra gente, isso é muito importante. Mesmo com as dificuldades que eles têm, eles conseguem entender o que está acontecendo. E eu acho muito importante que eles participem também, porque essa é a verdadeira inclusão.”

    O diretor Márcio Beretta Cossato confirmou que o exercício foi planejado para não deixar ninguém de fora. “Todo teste, toda ação, a escola tem que pensar no coletivo, sem excluir nenhum aluno, seja ele com deficiência ou não. E tudo saiu bem em uma atividade considerada de muito êxito,” resumiu o diretor.

    Aprendizado para toda comunidade escolar

    A agente de merenda Ana Cristina Moreira também foi impactada pelo exercício. Trabalhando numa das áreas de maior risco da escola – a cozinha, ela reconheceu a importância do treinamento.

    “A cozinha já é uma área de risco. Para a gente é muito importante ter toda essa dimensão. É uma coisa importante para poder levar para a vida, mesmo ao nosso redor, no dia a dia,” contou Ana Cristina.

    A professora Gláucia Ferreira Nascimento, supervisora pedagógica, está na Lúcia Martins Coelho há seis anos. “Agora eles estão mais que preparados; quando escutarem aquele sinal, vão entender que precisam esperar um segundo porque nós vamos direcioná-los. Eles já sabem para onde devem ir,” revelou a professora que também é brigadista na escola.

    Uma cultura rara nas escolas brasileiras

    O secretário de Estado de Educação Hélio Daher destacou que a iniciativa vai além de um exercício pontual. Isso não é comum no Brasil. “Esse tipo de treinamento é raro nas escolas públicas brasileiras e é a primeira vez que acontece em nosso estado”, pontuou.

    Helio ressaltou ainda que esse projeto começou justamente para fazer com que a rede estadual seja, de fato, um ambiente seguro para os nossos estudantes, haja vista que a ação está prevista para acontecer em todas as escolas.

    Todas as escolas da rede estadual já estão equipadas com extintores, sensores de fumaça, mangueiras, kits de primeiros socorros, pranchas e imobilizadores.

    Os servidores passam por treinamento constante e todas as unidades têm brigadas de incêndio formadas. O simulado de hoje marca o início de uma nova etapa que transforma equipamento e conhecimento em prática, antes que uma situação real exija.

    Gilberto Junior, SED

    Fotos: Thais Davis

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    REE, SED, Segurança

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