Publicado em 06 abr 2026 • por Adersino Valensoela Gomes Junior •
Um dia para ter a chance de experimentar como é ler e escrever sem enxergar
Criado em 1824 pelo francês Louis Braille – ele próprio era cego desde a infância, o sistema de escrita tátil que leva seu nome nasceu da necessidade de dar autonomia a quem não enxerga.
Então, ele desenvolveu seis pontos em relevo, combinados em 64 possibilidades que abriram o acesso à leitura, à escrita, à música e à matemática para pessoas cegas em todo o mundo.
Hoje, o Braille está presente em embalagens, placas, elevadores, cédulas de dinheiro e materiais educacionais. E segue sendo, para milhões de pessoas, o caminho mais direto entre o pensamento e a palavra escrita.
Nesse contexto, neste dia 8 de abril, o CAP-DV (Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual) de Mato Grosso do Sul transforma a data em uma vivência na exposição: ‘Braille: ler com as mãos, compreender com o coração’.
Será uma oportunidade de abrir as portas para que qualquer pessoa experimente, na prática, como é ler e escrever sem enxergar.
Sentir para compreender
Organizada em estações temáticas, a exposição guiará os visitantes por atividades com a escrita em reglete, um instrumento composto por uma prancha e uma régua guia para perfurar papeis e criar relevos (pontos), que formam a cela Braille de 6 pontos, permitindo a escrita e leitura.
O percurso ainda apresentará tecnologias assistivas (leitores de tela e audiolivros) e desmonta mitos que cercam a deficiência visual.

A voz de quem faz acontecer
Para o gerente pedagógico do CAP-DV, Eric Douglas Costa Montenegro, o objetivo da ação é que cada visitante tenha a chance de experimentar como é ler e escrever sem enxergar e sair com mais conhecimento e consciência de que a inclusão se faz com gestos e atitudes.
“Queremos proporcionar experiências que despertem empatia, reflexão e valorização da acessibilidade,” destaca Eric.
Inclusão que se aprende fazendo
Ao final do percurso, um mural interativo vai expor as impressões dos participantes. A ideia reforça o que a exposição defende uma sociedade mais acessível com escuta e participação.
O evento contará com textos ampliados, elementos táteis e conteúdo em áudio, acessível para quem visita, desde a entrada.
O CAP-DV/MS no dia a dia
Por trás da exposição, está o trabalho contínuo do CAP-DV/MS.
Produção de materiais adaptados, formação de professores e atendimento educacional especializado. Cada ação representa, para os educadores do Centro Pedagógico, um passo concreto rumo à educação verdadeiramente inclusiva que a SED tem como compromisso permanente.
Gilberto Junior, SED
Foto: arquivo escolar