Publicado em 24 abr 2026 • por Adersino Valensoela Gomes Junior •
Vozes ancestrais ecoam no presente e ensinam porque nunca deixaram de existir
Uma filha dos povos indígenas da etnia Guarani-Kaiowá, a professora e doutoranda, Inair Gomes, revelou durante palestra aos estudantes da Escola Estadual Ester Silva, em Bela Vista, algo que nenhum livro didático poderia substituir.
A ação chegou em um momento que celebra a história dos povos originários, por meio do projeto ‘Vozes Ancestrais: Povos Indígenas no Brasil Contemporâneo’ – uma pauta educacional de real significado e importância, sob a orientação do professor Pedro Bambil.
Que transformou a Semana dos Povos Indígenas em uma experiência de escuta, reflexão e desconstrução.
Voz da ancestralidade e da academia
O ponto alto do projeto foi a palestra ministrada pela professora Inair Gomes, graduada em Licenciatura Intercultural Indígena Teko Arandu, mestre em Educação e Territorialidade pela FAIND/UFGD (Faculdade Intercultural Indígena – Universidade da Grande Dourados), onde é doutoranda em Geografia.
Inair, que é filha da liderança indígena Guarani-Kaiowá, Amilton Gomes, trouxe aos estudantes não apenas conhecimento acadêmico, mas vivências e saberes que só quem carrega a identidade indígena na própria trajetória pode oferecer.
O foco da fala foi o protagonismo das mulheres indígenas nos tempos atuais, revelando uma presença viva, atuante e muitas vezes invisibilizada pelos estereótipos ainda presentes na sociedade.

Estudantes como protagonistas
O projeto contou com a participação ativa do Grêmio Estudantil Futuro em Ação – Voz dos Estudantes, que fortaleceu o protagonismo juvenil e o envolvimento dos alunos em uma ação que vai muito além do calendário comemorativo.
Ao se aproximarem de saberes, tradições e lutas dos povos originários, por meio das repercussões de Inair Gomes, os estudantes foram convidados a rever a própria forma como enxergam a diversidade cultural brasileira.
O professor como mediador
A iniciativa nasceu do planejamento intencional do professor Pedro Bambil, que construiu com os alunos um percurso pedagógico capaz de unir conteúdo curricular e formação cidadã.
“Quando um estudante ouve uma liderança indígena falar sobre sua própria história, ele para de estudar sobre os povos originários e começa a aprender com eles”, destaca o professor.

Espaço de escuta e transformação
Para a diretora, Eliane Centurião, a culminância do projeto reafirma o papel da Escola Estadual Ester Silva como espaço de diálogo e valorização da pluralidade cultural.
“Aqui, os estudantes aprendem que os povos indígenas são passado e presente”, ressalta Eliane.

Gilberto Junior, SED
Fotos: arquivo escolar