Publicado em 07 maio 2026 • por Adersino Valensoela Gomes Junior •
Quando a escola identifica um problema e age, isso se chama educação de verdade
Discurso de ódio tem antídoto. E ele começa na escola. A Escola Estadual Castro Alves, em Dourados, identificou, entre seus estudantes, falas que demonstravam desconhecimento ou minimização dos crimes do Holocausto. Em vez de ignorar, agiu.
A situação levou à realização da oficina ‘Nazismo e Neonazismo: Combate aos Discursos de Ódio e Promoção da Cultura de Paz’, desenvolvida com alunos do 8º e 9º anos nos períodos matutino, vespertino e integral.
Assim, a escola transformou um problema real em uma experiência formativa para os estudantes levarem para a vida.

O que os estudantes viram e sentiram
Primeiro, a oficina não se limitou a datas e conceitos.
Depois, os alunos tiveram acesso à contextualização histórica do nazismo, por meio de uma abordagem humanizada com imagens da época e depoimentos de sobreviventes aos fatos; foi impossível se sentir indiferente aos acontecimentos.
Em seguida, o debate avançou para o presente risco da disseminação de ideologias extremistas no ambiente digital com a circulação de discursos violentos em redes sociais e as implicações jurídicas dos crimes de racismo e apologia ao nazismo previstos na Legislação Brasileira, bem como no Regimento Escolar.

Estudantes protagonistas da cultura de paz
Ao compreender a gravidade do que estava sendo naturalizado em conversas cotidianas, cada estudante foi convidado a se tornar parte da solução, reconhecendo que o combate aos discursos de ódio começa pela própria fala, pela própria tela e pela escolha do que deve, ou não, ser compartilhado.
A PCPI (Professora Coordenadora de Práticas Inovadoras), Sirléia Vieira Portilho, acredita que “buscar e promover uma abordagem informativa e reflexiva contribui para a formação de cidadãos com pensamento crítico.”
Enquanto o coordenador pedagógico da iniciativa, Alan Luiz Jara, considera que “o objetivo da equipe pedagógica é garantir que a escola seja um espaço livre de violência, onde o respeito, a empatia e a convivência saudável sejam valores permanentes.”

Escola escudo contra a desinformação
A Escola Estadual Castro Alves reafirma que seu papel vai além do conteúdo curricular quando forma pessoas capazes de reconhecer e combater todas as formas de intolerância.
Gilberto Junior, SED
Fotos: Arquivo Escolar