Professores do atendimento especial a surdos chegam onde a inclusão mais precisa

Professores do atendimento especial a surdos chegam onde a inclusão mais precisa
  • Publicado em 19 maio 2026 • por Adersino Valensoela Gomes Junior •

  • Qualidade de ensino aos estudantes surdos começa antes da entrada em sala de aula

    Garantir que um estudante surdo aprenda com qualidade exige muito mais do que boa vontade. Exige professores preparados, planejamento cuidadoso e formação que não para.

    Foi com essa convicção que o CAS/MS (Centro de Capacitação de Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez), vinculado à Secretaria de Estado de Educação, realizou em maio dois encontros formativos destinados aos profissionais da Rede Estadual de Ensino que atuam com estudantes surdos.

    Os professores atuantes pertencem ao Atendimento Educacional Especializado e ao apoio pedagógico especializado a estudantes surdos indígenas.

    O papel do professor na educação do estudante surdo

    O segundo encontro formativo do ano voltado aos professores do AEE aconteceu no dia 6 de maio, das 8h às 10h, em formato híbrido — presencial no CAS/MS, em Campo Grande, e virtual para os demais municípios do estado via Google Meet.

    A abertura foi conduzida pela gerente pedagógica Daniela Silva, que destacou a formação continuada como instrumento essencial para garantir um atendimento mais acessível e efetivo aos estudantes surdos da rede.

    As discussões foram conduzidas pelas técnicas do Núcleo de Avaliação e Acompanhamento Didático e do Núcleo de AEE, respectivamente, Maíra Clara e Emília dos Santos. Juntas, elas abordaram planejamento pedagógico, organização da rotina profissional e acompanhamento contínuo da trajetória escolar dos estudantes atendidos.

    O suporte em tradução-interpretação e recursos tecnológicos ficou a cargo das técnicas Fabiany de Aquino e Andressa Santos.

    Língua de sinais e identidade cultural indígena

    Uma semana depois, no dia 13 de maio, das 8h às 11h, aconteceu o primeiro encontro formativo de 2026 voltado aos professores que atuam com estudantes surdos indígenas, realizado de forma virtual, reunindo profissionais de diversas coordenadorias regionais de educação do estado.

    O tema ‘Educação Escolar Indígena: língua de sinais e fundamentos político-pedagógicos’ provocou reflexões sobre o trabalho com estudantes que carregam uma dupla especificidade — a surdez e a identidade cultural indígena.

    Aspectos linguísticos, culturais e identitários foram discutidos com profundidade, reconhecendo que cada estudante surdo indígena tem uma trajetória única que o planejamento pedagógico precisa respeitar.

    A recepção dos professores foi conduzida pela professora do NAAD (Núcleo de Avaliação e Acompanhamento), Keren Peralta, acompanhada de sua equipe, Helen Ballok e Taune Lopes.

    A técnica Paola Medeiros abordou instrumentos essenciais como o Diário de Bordo e o Plano Educacional Individualizado. Enquanto, Maíra Martiniano, apresentou reflexões sobre o papel do professor de apoio especializado e estratégias de adequação de materiais didáticos.

    O encontro foi encerrado por Daniel Pereira, que articulou tradução-interpretação, perfil dos estudantes surdos indígenas e perspectivas pedagógicas voltadas ao trabalho cultural e linguístico.

    Professores protagonistas da própria formação

    Ao final de ambos os encontros, o Núcleo de Formação disponibilizou um formulário de avaliação que serviu também como lista de presença, atualização cadastral e espaço para sugestões e indicação de temas futuros, indicando os próprios professores como colaboradores do processo formativo.

    Uma rede que não deixa ninguém para trás

    O formato híbrido e virtual adotado garantiu que profissionais de municípios distantes da capital participassem em igualdade de condições, reafirmando o compromisso do Centro com uma educação inclusiva que chega a todos os cantos do estado.

    Para a diretora pedagógica do CAS/MS, Daniela Silva, “a formação continuada é o que garante que o direito à educação do estudante surdo não dependa da sorte de ter um bom professor, mas da certeza de que todos os professores estão preparados para atendê-lo.”

    Gilberto Junior, SED

    Fotos: Arquivo Escolar

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