Publicado em 10 abr 2026 • por Adersino Valensoela Gomes Junior •
Ciência nasce do território onde vivem e transforma um bairro em objeto de pesquisa
Em um momento em que a iniciação científica na Educação Básica ganha cada vez mais espaço como estratégia pedagógica, três alunas da EE Profª Maria de Lourdes Toledo Areias foram além da sala de aula e transformaram o bairro Recanto dos Rouxinóis em objeto de pesquisa, em Campo Grande.
O projeto integra o ‘Pictec 2025’ (Programa de Iniciação Científica e Tecnológica), uma iniciativa coordenada pela Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia); ambos do Estado de Mato Grosso do Sul.
Foram selecionados até 250 projetos de Escolas Públicas com investimento aproximado de R$ 7,2 milhões em bolsas para professores e estudantes; 175 deles destinados à Rede Estadual de Ensino.
Uma pergunta que nasceu do território
O projeto ‘Representações Geográficas Humano-Processuais do Conjunto Habitacional Rouxinóis’ partiu de uma questão central da Geografia: – Como elementos do passado permanecem presentes no território, mesmo diante das transformações urbanas?
A partir dessa problemática, as pesquisadoras analisaram o bairro sob aspectos históricos, sociais, ambientais e urbanísticos, buscando compreender as dinâmicas que estruturam o espaço onde vivem.

Estudantes protagonistas
As alunas pesquisadoras, bolsistas, Bianca Chiavagatti, Lorena Buzaneli e Bianka Iwashita conduziram a investigação com rigor científico, desenvolvendo habilidades de pesquisa, interpretação cartográfica, leitura crítica do espaço geográfico e trabalho colaborativo.
Ao estudar o próprio bairro, as jovens perceberam que o território é resultado de processos históricos, sociais e culturais que podem ser analisados, interpretados e representados por meio do conhecimento geográfico.

Educadores mediadores
A orientação científica foi conduzida pela professora Milena Bedim, também bolsista do programa, enquanto o professor Jean Carlos Penasso atuou como PCPI (Professor Coordenador de Práticas Inovadoras) e coorientador do projeto, contribuindo para a organização metodológica e o acompanhamento das atividades científicas.
O professor Jean considera o projeto um aprendizado significativo. “A iniciação científica na Educação Básica amplia horizontes, por que mostra ao estudante que ele é capaz de produzir conhecimento a partir da própria realidade.”

O que a pesquisa produziu
Entre os materiais produzidos estão mapas temáticos do bairro Recanto dos Rouxinóis que evidenciam aspectos sociais, históricos e espaciais do território, um material paradidático voltado ao ensino de Geografia.
O resultado está publicado em um conteúdo digital publicado em site educacional, com registros fotográficos e cartográficos da região pesquisada.
Os resultados do projeto estão disponíveis para a comunidade escolar e para qualquer interessado, aqui.

Escola Pública produzindo conhecimento
A experiência reafirma o papel da Escola Pública como lugar de ciência e formação crítica.
A orientadora, professora Milena Pellissari considera que, ao integrar a pesquisa ao cotidiano escolar, o projeto demonstra que a iniciação científica não é privilégio apenas do Ensino Superior.
“Quando as alunas passaram a enxergar o próprio bairro com olhos de pesquisadoras, perceberam que a Geografia não está só nos livros, está na rua onde moram”, ressalta Milena.
A diretora Adriane Bellei, também acredita que a pesquisa começa onde o estudante está, no território que ele conhece e que, agora, também sabe interpretar.
“Esse projeto mostra que nossa escola não apenas ensina ciência, ela produz ciência com os alunos que se tornam protagonistas do próprio conhecimento,” reforça Adriane, diretora da EE Profª Maria de Lourdes Toledo Areias.
Gilberto Junior, SED
Fotos: arquivo escolar